quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Erick Redfield

De que diabos aquele cara estava falando? De que ex-namorada? E o mais importante, quem era aquela criança? Essas e outras perguntas preenchiam a minha cabeca de um modo inexplicável. Tudo aquilo estava sendo novo demais para mim, sinceramente, eu queria sumir do mapa e nunca mais aparecer...
... eu queria morrer!
Dei um último adeus a minha eterna melhor amiga, o ar estava gelado e aquilo tudo me incomodava, aquele cenário no qual eu presenciava, parecia ter saído de um filme de terror. E sim, a minha vida tinha praticamente virado um, de três anos para .
"Não adianta, ela nunca mais vai voltar..." - esse mesmo pensamento estava na minha cabeça a semanas, parecia uma praga grudada em mim, que não queria me deixar em paz. Talvez, a minha paz iria voltar quando o sumiço de Jill fosse realmente esclarecido.
"Eu sei que ela não vai voltar, porra!" - eu repetia isso diariamente em meu subconsciente.
Caminhei lentamente até meu carro, tudo tinha acontecido tão rapidamente, que parecia que eu tinha me perdido no tempo. Parecia que até o modo de como as folhas das árvores caiam estava diferente, eu estava ficando dia a dia mais louco, totalmente fora de mim, mas isso não importava, o que importava nesse momento era que eu tinha que ir ate o hospital para ajudar o meu filho.
Quando cheguei no centro de medicina do qual eu havia recebido a ligação, fui diretamente para a recepção, onde fui atendido por uma gorda branquela que estava se entupindo de rosquinhas.
- O que o senhor deseja?
- Primeiramente, boa tarde. Eu sou Chris Redfield e recebi uma ligação informando que minha ex-namorada e meu suposto filho deram entrada nesse hospital.
- Sim, me acompanhe ate a ala de emergência.
Andamos pelos corredores vazios e estranhos, eu odiava com todas as minha forças qualquer hospital, tinha passado os piores momentos de minha vida em um hospital. Chegamos em uma replica um pouco menor da sala de espera principal, algumas pessoas estavam sentadas lendo revistas e bem mais longe de todo mundo, havia um garotinho que devia ter 5 anos de idade com um imenso copo de café em suas pequeninas mãos.
- Aquele ali - disse a gorducha apontando para o menino - é o seu filho. Tenha um pouco de paciência e muita calma com ele, pois o mesmo pode estranhar a sua presença e também o pequenino deve estar preocupado com a sua mãe que a cada momento, piora seu estado clinico.
- Muito obrigado pelas dicas, vou tentar ser mais paciente possível.
Fiquei admirado aquela criatura que não chegava a ter nem um metro de altura. Era incrível como ele era tão parecido comigo, apesar de alguns hematomas, a criança continuava lindo, os olhos eram de um azul muito vivo, igual de sua mãe, após ver cada detalhe de meu filho, tive um breve vislumbre que quem poderia ser a sua mãe. Ele era tão bonito quando ela, as semelhanças apesar de serem poucas, davam para perceber o quando ele tinha a personalidade parecida com a minha.
Um verdadeiro Redfield.
Fui relutante ao seu encontro, seu olhar firme observava com atenção a sala  e principalmente para mim, que andava no seu caminho. De uma hora para outra, fiquei tenso e nervoso ao mesmo tempo. Quase não conseguia acredita que aquela criatura tao perfeita podia ser meu filho. Assim que sentei ao seu lado, ele segurou minha mão, minha vontade foi de chorar com esse ato, mais me segurei quando ele disse a seguinte frase:
- Bem que mamãe disse que você estaria aqui para me proteger.
- Meu filho...
- Pai, mamãe vai mesmo morrer?
Aquilo literalmente partiu meu coração ao meio, aquela criança, ainda tão jovem, parecia entender o mundo e compreender as coisas melhor do que eu, mas por mais que me doesse, caso alguma coisa acontece, eu teria que falar para ele a verdade, mesmo que isso fosse um choque tremendo tanto para mim, quando para ele.
- Não, a sua mãe não vai morrer. Mas vamos mudar de assunto. Qual é o seu nome?
- Erick Redfield. E o seu?
- Chris Redfield.
- Quando eu crescer, quero ser forte igual a você...
Mas nossa conversa foi atrapalhada quando o medico geral daquele local me chamou para conversar em particular no seu escritório.
- Olá Chris. Meu nome eh Marcos Peres e fiquei encarregado de cuidar da sua namorada...
- Desculpa, mas ela eh minha ex.
- Perdoe minha falta de atenção. Fizemos o possível e o impossível para salvá-la, mas foi em vão. Sinto muitíssimo, mas ela acabou falecendo. A boa noticia é que antes de morrer, conseguimos tirar a sua filha e salva.